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EDUCAÇÃO 3.0 – Rede Municipal de Ensino de Guaraí: uma proposta para a oferta do ensino aprendizagem no retorno semipresencial / presencial
Outubro 16, 2021

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EDUCAÇÃO 3.0 – Rede Municipal de Ensino de Guaraí: uma proposta para a oferta do ensino aprendizagem no retorno semipresencial / presencial

Vivenciamos tempos de grande apreensão, incertezas quando ao cenário da educação pública não só no município de Guaraí, mas em todas as esferas educacionais do Brasil. Desde que formos surpreendidos pela pandemia do COVID-19, em que as aulas na Rede Municipal foram suspensas em 16 de março de 2020. Quando as atividades letivas foram suspensas, pensávamos que retornaríamos para concluirmos o 1° bimestres, o que não aconteceu. Acabamos concluindo o Ano Letivo de 2020 no formato NÃO PRESENCIAL, onde a metodologia utilizada buscou apoiar-se nas Tecnologias da Informação e Comunicação como suporte da oferta do ensino em todas as Unidades Escolares Municipais.

Leia AQUI a proposta na integra.

Em dezembro de 2020, submetemos a PROPOSTA DE RETOMADA DO ENSINO NO FORMATO SEMIPRESENCIAL PARA ANO LETIVO DE 2021 à Comunidade Escolar, a Sociedade Guaraiense e ao Conselho Municipal de Educação, buscando assim promover o amplo debate da proposta e através das intervenções feitas pelos colaboradores, foi submetida para aprovação do Conselho Municipal de Educação de Guaraí, que emitiu a RESOLUÇÃO Nº 023/2020, de 15 de dezembro de 2020, que “Aprova a Proposta de Retomada das Aulas no Formato Semipresencial para o ano letivo de 2021 no município de Guaraí – TO, conforme Parecer Nº 023/2020 da Câmara de Educação Básica deste Conselho”, aprovando a Proposta de Retorno do Ensino para fevereiro de 2021.

Todo o cenário de insegurança, principalmente por “falta do aparelhamento da saúde pública”, ao qual, “não se encontrava e não se encontra preparada para os desafios impostos pela COVID-19”. Diante desse cenário, a educação municipal “forçadamente teve de se reinventar”, tendo de certo modo, que promover em um curto prazo, cito: Março a Junho de 2020 uma verdadeira reformulação da proposta pedagógica a nível de município, mas mantendo toda a essência possível na visão da BNCC e DCT. Em um comparativo, ousaria dizer que a Educação Mundial teve que “promover uma revolução na visão da oferta do ensino aprendizagem”.

Esta “Revolução” diferente de outras, que ocorreram gradativamente em décadas, a educação teve de se “reinventar do dia para noite” e como consequência sofrerá os impactos desta mudança forçada por muitos anos, uma vez que, as mudanças tiveram “sustentação no envolvimento dos Profissionais da Educação”. A afirmativa tem como ponto de sustentação a falta de estrutura de tecnologia, na falta de tomada de decisões dos órgãos governamentais, ao qual, transferiu aos Estados e este aos Municípios a responsabilidade por garantir a oferta do ensino aprendizagem, onde de certa forma, os municípios despreparados em tecnologia, infraestruturas não adequadas para a demanda, profissionais com “conhecimentos tímidos de tecnologias aplicadas na educação” tiveram que se reinventar.

Sim realmente estamos sofrendo os impactos de uma Revolução na Educação Nacional e Mundial, ela está sendo sentida, absorvida, adaptada e trabalhada pelos Profissionais da Educação, em que equipes da Secretaria, das Unidades Escolares e os professores se desdobraram, reinventando práticas, construindo metodologias e usando as ferramentas que estão disponíveis.

Para estruturar a proposta, a Prefeitura Municipal de Educação de Guaraí, por intermédio do Fundo Municipal de Educação tem estruturado investimentos pontuais, tais como:

CONTEXTUALIZANDO

Mediante toda a problemática da oferta do ensino, iniciamos o ano letivo de 2021 no formato não presencial, com expectativas da vacinação dos profissionais da educação antes do retorno presencial no 2° semestre, para este retorno estaremos buscando utilizar dos recursos da visão metodológica do Ensino Híbrido e demais estratégias possíveis para o retorno das atividades escolares.

A visão do Ensino Híbrido e suas metodologias ainda necessitam de uma maior apropriação por parte dos profissionais da educação, tendo em vista que a referida metodologia se desenvolve nas vertentes das aulas presenciais e remotas em que ferramentas digitais e/ou pedagógicas diversificadas são inseridas no cotidiano escolar, na interação entre escola e família, na oferta de apoio socioemocional, buscando em todas as ações na busca por estruturar a aplicação do ensino híbrido semipresencial.

Entendemos a grande necessidade do retorno das atividades letivas presenciais, mesmo que seja neste reinicio a utilização do formato escalonado de atendimento dos alunos, seguindo um cronograma e medidas de segurança, bem como a fundamentação das rotinas de estudos do espaço escolar e da relação Escola x Família x Aprendiz.

Na visão da retomada do ensino, temos como carro chefe a ampla utilização dos recursos da Tecnologia na educação, em que os recursos das novas tecnologias, fortificam a aplicação do Ensino Híbrido e todo potencial das TICs – Tecnologias da Informação e Comunicação possibilitará que as atividades escolares presenciais e/ou remotas sejam amplamente fortalecidas, resultando em uma maior aprendizagem.

Vendo a tecnologia como uma aliada nesta nova etapa da educação, buscaremos junto a Gestão Municipal o fomento de ações que possam marcar a estruturação da Educação Municipal de Guaraí (Educação 3.0), tendo em vista que, as ações buscarão demandar a implantação de novos equipamentos de informática, multimídia e comunicação direta entre Professor x Aluno.

Uma visão deve ficar bem clara, a reformulação da proposta não busca fortalecer a ideia do substituir as aulas presenciais, por aulas online e/ou que o ensino remoto seja priorizado, mas sim, busca subsidiar a inter-relação entre as modalidades de ensino que possam estruturar gradativamente a Educação Municipal (Educação 3.0), em que a união da expertise do professor aos recursos das tecnologias, podem motivar os alunos a aprender investigando, questionando, debatendo e colocando “a mão  na massa”, verdadeiramente sendo o agente da sua aprendizagem, tendo a pessoa do professor um mediador do ensino aprendizagem.

FUNDAMENTOS DA PROPOSTA DA EDUCAÇÃO 3.0

A Proposta de instrumentalização e fundamentação da Educação Municipal à nível de Educação 3.0, busca fundamentos no atual cenário de pandemia que estamos vivendo e na visão de intervenções a serem necessários na oferta do ensino aprendizagem no pós-pandemia, uma vez que, toda problemática da oferta atual do ensino provocou uma corrida em direção aos recursos de mídia, mesmo a proposta da inserção das tecnologias terem sido colocadas na visão dos PCNs em 1997 e no Plano Nacional de Educação.

PNE – Meta 7

Fomentar a qualidade da educação básica em todas as etapas e modalidades, com melhoria do fluxo escolar e da aprendizagem de modo a atingir as seguintes médias nacionais para o Ideb:

Estratégia – 7.15) universalizar, até o quinto ano de vigência deste PNE, o acesso à rede mundial de computadores em banda larga de alta velocidade e triplicar, até o final da década, a relação computador/aluno (a) nas escolas da rede pública de educação básica, promovendo a utilização pedagógica das tecnologias da informação e da comunicação;

SOBRE EDUCAÇÃO 3.0, ALGUMAS INDAGAÇÕES:

Para entrarmos no contexto da Educação 3.0, utilizaremos dos preceitos dos pesquisadores/professores/teóricos PIERRE LÉVY¹, JAMES G. LENGEL², EDVALDO COUTO³, matérias publicadas em ARTIGOS NA REDE4.

Para o Professor EDVALDO COUTO, “Defensor assíduo do ‘uso de toda e qualquer tecnologia em sala de aula”. Coloca que: a Educação 3.0 será aplicada com sucesso quando alguns problemas estiveram solucionados, como a falta de infraestrutura nas escolas e a má formação tecnológica dos professores”. Aponta que:a mera presença dos objetos técnicos em sala de aula não significa necessariamente inovação. (…) O computador sozinho não faz nada”.

Antes de contextualizarmos a visão da Educação 3.0, precisamos antes entender o que foi a Educação 1.0 e a Educação 2.0:

Educação 1.0:

( 1 ) – Sendo o primeiro modelo de ensino-aprendizagem, estabeleceu um padrão de ensino em que o professor ensinava para um grupo pequeno de estudantes ou até para um único aluno.

( 2 ) – Representa métodos de ensino restritos a um pequeno grupo, esse era um modelo adequado para a época em que o conhecimento era privilégio de poucas pessoas. Nesse paradigma, os professores eram os grandes detentores do saber e ensinavam apenas para um pequeno grupo de alunos.

( 3 ) – Primeiro modelo de ensino-aprendizagem criado pela humanidade, criou o padrão em que o professor (ou o mestre) ensina um grupo menor de estudantes ou até mesmo apenas um aluno.  Sendo este o modelo que prevaleceu naquela época em que a educação e o conhecimento eram tidos como importantes somente para uma pequena parte da sociedade, normalmente nobres, intelectuais e filósofos.

Educação 2.0

( 1 ) – Com a Revolução Industrial, passou a ser obrigatória a universalização do ensino e, então, um novo sistema foi criado. Em que um professor ensinava dezenas de alunos ao mesmo tempo.

( 2 ) – O contexto é o da revolução industrial, que criou uma demanda por mais ensino para mais pessoas, a fim de atender ao mercado de trabalho. Com o crescimento das fábricas, a necessidade por conhecimento técnico aumentou, por isso, os professores passaram a ministrar aulas para grupos maiores e mais abrangentes de pessoas.

( 3 ) – com a exigência do mercado de trabalho, a partir da Revolução Industrial, a universalização do ensino, reconhecendo-o como direito de todo cidadão, foi preciso criar um novo sistema. A partir daí, surgiu a educação 2.0, caracterizada pela possibilidade de um único professor ensinar dezenas de alunos ao mesmo tempo.

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  • 1 – PIERRE LÉVY – Filósofo Frances – Pesquisador das tecnologias da inteligência e investiga as interações entre informação e sociedade. Mestre em História da Ciência e Ph.D. em Comunicação e Sociologia e Ciências da Informação pela Universidade de Sorbonne, é um dos mais importantes defensores do uso do computador, em especial da internet, para a ampliação e a democratização do conhecimento. Sua vocação surgiu durante um curso com o filósofo francês Michel Serres, e seu foco de estudo se concentrou na área da cibernética e da inteligência artificial. Obras: A máquina Universo – Criação, cognição e cultura informática. A inteligência coletiva, O que é virtual? e Cibercultura. Atualmente, é professor de Inteligência Coletiva na Universidade de Ottawa
  • 2 – JAMES G. LENGEL mais conhecido por Jim Lengel é um escritor e professor universitário, da Universidade de Nova York e da Universidade de Boston, nos Estados Unidos da América. Pesquisador sobre a evolução da tecnologia informática e o seu uso na Educação. A concepção do Professor Lengel para uma nova pedagogia, do século XXI a que ele chama de Educação 3.0. Autor do livro: Education 3.0: 7 steps to better schools (Educação 3.0: 7 passos para escolas melhores).
  • 3 – EDVALDO COUTO, professor da Universidade Federal da Bahia. Doutor em Educação pela Unicamp e palestrante das duas edições do InovaEduca 3.0, SP e Recife. Pesquisador de temas como: cibercultura, tecnologias educacionais e criação de narrativas em ambientes digitais.
  • 4 – Site Web:
  • – porvir.org/educacao-3-0-e-tecnologia-integra-pessoas/
  • – escoladainteligencia.com.br/blog/o-que-e-escola-3-0-e-como-ela-esta-transformando-educacao/
  • – blog.portabilis.com.br/o-que-e-educacao-3-0/
  • – novosalunos.com.br/educacao-3-0-conheca-esse-novo-modelo-de-ensino/
  • – pueridomus.com.br/blog/2020/06/26/educacao-3-0-conheca-esse-novo-modelo-de-ensino/

Seguindo a linha de abordagem do Professor EDVALDO COUTO em entrevista ao Site PORVIR, em que, defende o uso da Tecnologia como mecanismo de inovação da prática docente, mas ao mesmo tempo aponta algumas situações condicionantes ao uso desta tecnologia vinculada à necessidade de mudanças e/ou adequações, sendo estas na linha do solucionar três problemas:

1 – Melhorar a infraestrutura tecnológica.

“Em relação ao escolar (Grifo nosso)”: “Os computadores são em número limitado, não tem para todos. É preciso ampliar e criar novas políticas públicas capazes de construir uma boa infraestrutura tecnológica nas escolas”.

2 – Melhorar o acesso à rede.

É preciso investir e melhorar a banda larga, entender que conexão é uma necessidade básica da população. (…) Precisamos reduzir drasticamente o custo e ampliar a velocidade da rede. A internet veloz precisa estar disponível nas escolas. (…) Deve ser presença em todas as escolas. Em cada escola pública”.

3 – Formar adequadamente os professores para a cultura digital.

Muitos professores não sabem o que nem como fazer uso das tecnologias digitais em suas práticas docentes. (…) Os professores devem ser letrados digitalmente, ter autonomia e liberdade, precisam ser sujeitos integrados na cultura digital”.

Os pontos abordados, buscam fundamentar que o conhecimento das tecnologias digitais deve superar a visão do “conhecer das máquinas e ferramentas tecnológicas”, mas deve ser visualizada dentro da expectativa das potencialidades do uso das tecnologias digitais, que não mais deve ser vistas ou faladas na visão das máquinas, “mas em pessoas conectadas, fazendo coisas incríveis porque estão juntas, trabalham em parceria, de modo coletivo. Se as pessoas não estiverem conectadas e não tiverem liberdade para discutir e criar, nada mudaria na educação”.

Analisando os estudos e as falas do professor EDVALDO COUTO, principalmente quando questionado sobre:

Como deve ser o processo de integração desse professor na cultura das redes sociais?

Temos em sua resposta, um dos alvos a ser perseguido pelos Sistemas, uma vez que, para o Professor Edvaldo Couto, “Esse parece ser o nosso maior desafio: incentivar professores a inovarem práticas docentes usando as redes sociais digitais”.

Mediante todo o contexto, a “integração do professor às tecnologias digitais como processar das inovação das práticas docentes”, é e será o grande desafio no fazer a Educação 3.0, uma vez que, viver o mundo das tecnoloigas digitais: Facebook, Instagram, Whatsapp, Twitter, Tic Toc, e tantos outros meios de comunicação, “não fazem do professor um fazedor de tecnologia educacional”, uma vez que, viver estes meios digitais, mas não saber utilizá-los em favor da melhoria da qualidade da oferta educacional, não resultará em nenhuma mudança significativa na vida do Educando.

Muitos são os professores integrados a algumas dessas redes, mas poucos usam as potencialidades desses ambientes nas suas práticas pedagógicas. Esse parece ser o nosso maior desafio: incentivar professores a inovarem práticas docentes usando as redes sociais digitais. E aqui o importante não é apenas distribuir tarefas, mas, principalmente, criar e manter espaços contínuos e ativos de discussões, produções e difusões de conhecimentos”. EDVALDO COUTO, disponivel em: https://porvir.org/educacao-3-0-e-tecnologia-integra-pessoas/

E como podemos definir a Educação 3.0? (Pergunta do Site PORVIR)

 Para o professor EDVALDO COUTO, (demonstraremos a visão do professor em tópicos):

  • A educação 3.0 traz as tecnologias digitais para a sala de aula para estimular a produção e a troca de conhecimentos.
  • A ênfase não deve estar nos objetos técnicos, seus ambientes e aplicativos, mas nas intereações, nas trocas, no fazer coletivo.
  • Então a sala de aula passa a ser qualquer ambiente onde as pessoas se conectam umas às outras e criam, encontram soluções para seus problemas, enfrentam coletivamente seus dilemas.
  • Onde há (houver) pessoas conectadas, tem ensino e aprendizagem mediados por tecnologias digitais.
  • O professor não é mais aquele que transmite um determinado saber pronto.
  • O professor agora é aquele que coordena as atividades em torno de algum problema ou de determinados problemas. Assim, muitos grupos, em diferentes espaços e tempos, podem trabalhar em conjunto.
  • Ser professor na cultura digital implica coordenar, orientar, incentivar a aprendizagem calaborativa e cada vez mais personalizada.
  • Não se trata mais de uma mesma tarefa para todos num determinado espaço e tempo.
  • Cada professor, cada aluno, pode abrir uma frente de investigação e todos podem compartilhar dúvidas e descobertas.
  • A troca contínua de experiências passa a ser um valor fundamental da Educação 3.0. Ela depende menos dos objetos técnicos utilizados e mais das articulações que são feitas. Estar conectado passa a ser a condição desse “estar junto e produzir coletivamente”.

Sendo um dos mais respeitados pesquisadores e defensores da Educação 3.0, o professor JAMES G. LENGEL, da Universidade de Boston, nos EUA, traz em seu livro “Education 3.0: 7 steps to better schools” (em tradução livre, Educação 3.0: Sete passos para escolas melhores5). O termo educação 3.0 se refere a um novo modelo de ensino-aprendizagem que pressupõe, evidentemente, a existência de dois modelos anteriores ultrapassados pelo terceiro, já demonstrado anteriormente (Educação 1.0 e 2.0).

Educação 3.3: Sete passos para escolas melhores

  • 1° passo: Reconhecer a necessidade de mudança
  • 2° passo: Defina a visão
  • 3° passo: Escaneie o sistema
  • 4° passo: Plano de ação
  • 5° passo: Adote o plano
  • 6° passo: Construir educação 3.0
  • 7° passo: Monitorar e atualizar

Na linha de JAMES G. LENGEL, temos como marco inicial para existência da Educação 3.0 o surgimento da internet ao final do século XX e toda tecnologia gerada a partir dela. Com o advento da internet, as novas mídias e todo arcabouço tecnológico, foi que surgiu as novas visões do fazer educação, onde “a partir do momento em que estudantes e profissionais de todo o mundo passam a ter fontes de coleta de informações e o ensino aprendizagem não estão ligados estritamente à pessoa do professor como forma de alcançar o conhecimento”.

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E neste ponto que ocorre a “Revolução na Educação”, onde o professor “deixa de ser o centro, a única figura capaz de oferecer o ensino aprendizagem / conhecimento” e passa a ser “o orientador, o mediador, o direcionador dos debates,das teorias, das hipóteses e posteriormente o elo de ligação entre o conhecimento pesquisado, investigado e ainda não totalmente estruturado pelo aprendiz, que será após estudo à luz das tecnologias digitais, será revisado, estruturado e fundamentado com a presença do professor e dos demais agentes do ensino em sala de aula, sendo esta presencial ou não”.

O professor como direcionador e instigador da busca pelas informações de acordo com os Marcos Regulatórios da Educação Nacional (BNCC, DCT, e outras), proporá aos alunos os atos investigatórios, as hipóteses, as teorias e os alvos da proposta do ensino aprendizagem. Mas os alunos, empoderados na missão do aprender a aprender, buscará definir suas estratégias de acesso às informações/conhecimentos, para posterior, tendo um dado conhecimento ainda não totalmente estruturado, possa mediante estudos/debates coletivos com colegas de sala de aula e com os professores confrontar e apreender para vida e para transformar o meio em que estiver inserido.

“Com isso, em vez de transmitir o conhecimento ao aluno, o professor assume a função de ajudar o estudante a descobrir qual é a melhor forma de aprender, sendo responsável por orientar quanto a fontes e métodos existentes, solucionando suas dúvidas e auxiliando na formação do pensamento crítico.” (PUERI DOMUS), acessado em 19/06/2021, disponível em: https://pueridomus.com.br/blog/2020/06/26/educacao-3-0-conheca-esse-novo-modelo-de-ensino/

A concepção do Professor Lengel para uma nova pedagogia, do século XXI a que ele chama de Educação 3.0, em que na sua linha de pesquisa, coloca que, para que esta funcione bem, tem que atender a seis pilares que a definem.

  1. Estudantes trabalham em problemas que valem a pena ser;
  2. Estudantes e professores trabalham de forma colaborativa;
  3. Os alunos desenvolvem pesquisas auto-direccionadas;
  4. Estudantes aprendem a como contar uma boa história;
  5. Estudantes aplicam ferramentas adequadas para cada tarefa;
  6. Estudantes aprendem a ser curiosos e criativos.

Seguindo a estruturação da proposta, buscamos fortalecer a linha da Educação 3.0 fazendo-nos também da visão do que diz PIERRE LÉVY, que em seus livros: As Tecnologias da Inteligência6 e Cibercultura7, aponta em suas obras que, “a aprendizagem do ser humano é em certo modo diretamente relacionado ao modo de comunicação desenvolvido no ato de se comunicar”.

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Todo contexto, buscará fundamentos nas obras citadas, com apoio na leitura investigativa e nas propostas do pesquisador, nas considerações de material publicados nas mídias sociais em complementação da linha de Pierre Lévy:

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Encontramos na obra de Pierre Lévy, abordagens que se aplicam fielmente na construção de uma base na estrutura das propostas educacionais, uma vez que, em sua abordagem sobre a aprendizagem, aponta que a humanidade em sua visão, em relação às formas de aprender, passou por três fases, sendo estas estruturantes rumo ao entender e estruturar a visão da Educação 3.0:

PRIMEIRA FASE : o conhecimento/pensamento/inteligência se baseava na oralidade e o aprender seguiam formas circulares.

  1. CONTEXTUALIZANDO

Tendo como análise a visão de Pierre Lévy, onde encontramos na sua obra Tecnologias da Inteligência, o autor apresenta uma visão/estudo sobre a característica cognitiva coletiva inerente a oralidade da sociedade humana. Onde coloca e considera a existência de dois tipos de sociedade, uma mais arcaica que se estruturava a partir da Oralidade primária, e outra mais moderna baseada na Oralidade secundária.

  • Oralidade primária seria a que remete ao papel da palavra falada antes do advento da escrita, “(…) a palavra tem como função básica a gestão da memória social, e não apenas a livre expressão das pessoas ou a comunicação prática cotidiana” (LÉVY,1992). Nessa sociedade a inteligência ou sabedoria estaria particularmente relacionada com a memória sobre o conhecimento que era passado de forma oral através de uma relação mais íntima entre indivíduos na construção de uma tradição (professor e um aprendiz). Sendo a Memória a forma de armazenamento dessas informações ou conhecimentos, neste ponto, Lévy nos convida a entender a funcionalidade da memória dentro da visão da psicologia cognitiva.

Nesta linha, apresenta a ação de guardar/absorver as informações por meio de dois veículos:

  • A memória de curto prazo: está relacionada com a atenção do ouvinte, que tentará reter uma informação durante um curto espaço de tempo para sua rápida utilização. Um recurso usado para o desenvolvimento dela é a constante repetição de uma ação.
  • A memória de longo prazo: mais complexa que a primeira, que funciona com o armazenamento de informações em uma única e imensa rede associativa que deverá contê-la durante um grande período de tempo.

O autor fala que, as sociedades orais, desenvolveram um método de conseguir garantir a eficiência da memória de longo prazo (método, ou estratégia, de Elaboração), de forma que as informações possam ser condensadas e associadas, tendo sua compreensão através da representação. Efetivamente, há uma caracterização pela construção de elementos da narrativa que contenha todos os ensinamentos visados, “o chamado Mito ou Fábula”. Lévy explica:

“Dramatização, personificação e artifícios narrativos diversos não visam apenas dar prazer ao espectador. Eles são também condições sine qua non da perenidade de um conjunto de preposições em uma cultura oral.” (PIERRE LÉVY,1992,p.82)

Significado:

SINE QUA NON

Ação ou condição que é indispensável, que é imprescindível ou que é essencial.

  • Oralidade secundária está relacionada à escrita. Este meio de empoderamento do conhecimento, tem sua estrutura no armazenamento de informação e o fato de terem uma estrutura física guardando-a por meio de caracteres simbólicos (a escrita).

“ (…) o alfabeto e a impressão, aperfeiçoamentos da escrita, desempenharam um papel essencial no estabelecimento da ciência como modo de conhecimento dominante” (LÉVY,1992).

Aprender na forma circular: inicialmente, entendemos por circularidade as relações que vão se semelhando entre oralidade e escrita, onde a inteligência / conhecimento se processa por uma “articulação circular contínua entre diferentes campos dos saberes, buscando reorganizar o nosso sistema mental para reaprender a aprender” – (Epílogo Morin – 2007). Tendo nesta fase grande relevância o conhecimento de mundo, as interações, a trocada de experiências, a revisão de saberes (Para andar para frente, é necessário olhar para trás e pegar algo8).

SEGUNDA FASE: o conhecimento/pensamento/inteligência era baseada na escrita linear.

  1. CONTEXTUALIZANDO

Conhecimento/Pensamento/Inteligência baseada no conceito linear, parte do princípio dos modelos tradicionais de acesso a informação ou conhecer dentro de uma “rotina una”, de uma divisão dos saberes em tempo, em blocos…

“(…) aprendizagem é vida ou deveria ser e que não há nada de linear na vida. A vida é irregular, logo a aprendizagem é também irregular.” (Dwight Carter9)

TERÇEIRA FASE: o conhecimento/pensamento/inteligência se baseiam nos relacionamentos coletivos, como uma rede, baseada no hipertexto.

(Hipertexto: apresentação de informações escritas, organizada de tal maneira que o leitor tem liberdade de escolher vários caminhos, a partir de sequências associativas possíveis entre blocos vinculados por remissões, sem estar preso a um encadeamento linear único.) Fonte: Dicionario Google – disponível em> https://www.google.com/search?q=hipertexto&oq=hipertexto&aqs=chrome..69i57j0l4j46j0l4.1236j0j4&sourceid=chrome&ie=UTF-8).

Nesta Terceria Fase, o conhecimento/pensamento/inteligência são baseados nos relacionamentos coletivos, como uma rede e tendo na visão do hipertexto a nova oralidade, que se caracteriza pela utilização das Novas Tecnologias da Informação e Comunicação, pela facilidade da troca de informações, pelo(a) contato/troca/compartilhamento facilitado de informações/conhecimento via conexão de mídias e em que pessoas de diferentes culturas, credos, situação social e outras… podendo através da utilização da tecnologia ter acesso a múltiplas formas de aprender a aprender.

Na proposta, parafrasendo PIERRE LÉVY, quando vê “a velocidade do surgimento e da renovação de conhecimentos”, a indicação de que, “a partir de agora, devemos pensar em espaços de aprendizagem abertos, emergentes, essencial, significantes, em fluxo, não lineares, que se reorganizem continuamente e se adaptando às necessidades e as mudanças locais, nacionais e mundiais”.

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Nesse ambiente, a escola precisa estar a serviço do desenvolvimento de competências variadas, das quais cada indivíduo possui uma coleção particular e possa, por meio dos processos educativos, manter e enriquecer essa coleção de competências, tendo investimentos no ensino aprendizagem processando-se dentro das múltiplas visões educacionais, libertando-se da centralização em uma única prática ou linha de pensamento, mas passando a permear o tradicional (no que tem de bom), no construtivista (no que tem de bom), na experimentação, na tentativa e erro, nas novas tecnologias da informação/comunicação e tantas outras correntes/linhas pedagógicas voltadas a oferta do ensino aprendizagem.


Imagem: Educação 3.0 – Conjunto de ações didáticas, pedagógicas e metodológicas que fundamentam a base da educação municipal em período de pandemia e pós-pandemia.

Em resumo, o importante é a compreensão de que, “não há um(a) caminho/forma único(a) de alcançar/vivenciar o conhecimento/pensamento/inteligência, tendo o aprendiz a oportunidade de buscar, experimentar, teorizar e com o auxilio do mediador, fundamentar: o Aprender a conhecer, o Aprender a fazer, o Aprender a conviver e o Aprender a ser.

Lendo PIERRE LÉVY (filósofo e professor da Universidade de Paris), vemos a possibilidade de transpor as pesquisas, as teorias, as hipóteses, os estudos, as constatações do pesquisador, para o presente momento que vivemos no cenário de pandemia e a projeção do pós-pandemia, “onde não teremos um novo normal”, mas entendemos que a Educação não poderá mais ser executada como anteriormente, uma vez que, a inserção da tecnologia e nas novas mídias “mesmo que forçadamente” tem provocado à mudança gradativa da “velocidade do surgimento e da renovação de conhecimentos”, o que diretamente surge à necessidade o pensar a Educação 3.0, em que devemos repensar a oferta do ensino aprendizagem, com o Sistema de Ensino passando a pensar no novo modelo de Escola, que “precisa está a serviço do desenvolvimento de competências variadas, das quais cada indivíduo possui uma coleção particular e possa, por meio dos processos educativos, manter e enriquecer essa coleção de competência”.

As necessidades do ensino aprendizagem surgem e surgirá potencialmente em virtude de múltiplas e variadas necessidades, sejam naturais ou provocadas, por exemplo: Revolução industrial, Guerra e Situações de saúde pública, “sendo o caso da Pandemia da COVID-19” que, provocou a suspensão das atividades escolares em Escala Mundial. Em virtude da paralisação, houve/há a necessidade de novas estratégias para oferta Educacional, praticamente os Sistemas de Ensino Públicos ou Privados tiveram de se reinventar estruturalmente e pedagogicamente, buscando não só a adequação em si, mas adequar à clientela/educando/família a ser atendida.

Diante de toda problemática, “todos os sistema se viram na necessidade e na dependência da urgente utilização dos Recursos de Tecnologias Digitais”, o que promoveu direta ou indiretamente uma mudança nos paradigmas da oferta educacional, em que, “todas as redes tiverem de rever: Ferramentas tecnológicas, Currículo, Planejamento, Calendário, Formato de trabalho e Formação de professores e outros”.

Todo este processo de reorganização e busca pela oferta do ensino via recursos de tecnologias digitais online ou offline, fez fortalecer a visão da EDUCAÇÃO 3.0, cujo pilar de sustentação é a “interação entre tecnologias digitais e a prática docente em favor das práticas pedagógicas de ensino e aprendizagem”.

Na visão da Educação 3.0, o formato de oferta do educacional de forma tradicional já não atende às necessidades dos alunos e da sociedade como um todo, sendo que, toda ferramenta utilizada na oferta do ensino em período de pandemia e na visão do pós-pandemia, buscou alcançar o máximo possível da oferta do educacional.


Imagem: Ferramentas para oferta do Ensino Remoto na Rede Municipal de Ensino de Guaraí/TO

A evolução da Rede Mundial de Computadores (Internet, Aparelhos, Aplicativos, Plataforma e outros), contribuiu para a mudança no papel do professor em sala de aula e da forma com que o conhecimento/informações chega ao aluno. Onde o “professor em sala de aula não mais é o único meio de acesso a informação que gere conhecimento”, mas este profissional passa a ter a “função de mediador do conhecimento, auxiliando os alunos a saber buscá-lo, apreendê-lo e utilizá-lo”.

Diferente das necessidades que levaram a construção da Educação 1.0 e 2.0, agora o alvo “não é mais universalizar o acesso à educação”, isto é: “aumentar o número de pessoas a serem ensinadas”, mas sim, “conferir mais protagonismo aos alunos, oferecendo a possibilidade de personalização dos conteúdos, do ensino aprendizagem, do uso de novas metodologias e da necessidade de que, cada aluno passe a fazer uso intenso de tecnologias para estimular a aprendizagem”.

Não falamos em mera adoção de dispositivos e equipamentos eletrônicos de maneira avulsa, mas fundamenta-se a Educação 3.0, no uso estratégico dessas ferramentas para melhorar o ensino aprendizagem, gerando no aprendiz o aumento da sensação lúdica, das possibilidades da realidade virtual, das tecnologias de simulação e da máxima utilização da gamificação das mídias digitais.

  • Gamificação: Conceitos são adaptados ao aprendizado, para que se possa extrair uma experiência similar a que se tem quando essas ferramentas são utilizadas para outros fins.
  • Do o inglês gamification, é o uso de mecânicas e características de jogos para engajar, motivar comportamentos e facilitar o aprendizado de pessoas em situações reais, tornando conteúdos densos em materiais mais acessíveis, normalmente não associado a jogos.
  • Gamificação (ou gamification, no termo inglês) é o uso de mecânicas e dinâmicas de jogos para engajar pessoas, resolver problemas e melhorar o aprendizado, motivando ações e comportamentos em ambientes fora […]

Fontes: https://

  • tutormundi.com/blog/gamificacao-na-educacao/
  • ludospro.com.br/blog/o-que-e-gamificacao
  • edools.com/o-que-e-gamificacao/

Vemos uma presença muito forte dos conceitos da Educação 3.0 nos métodos utilizados pelo Ensino a Distância, uma vez que, sendo uma forma não tradicional de oferta do ensino aprendizagem podem envolver a presença física em salas de aula, mas também aulas, em que a internet, as mídias digitais dão maior mobilidade e tornam o processo educacional mais atrativo e flexível, possibilitando interações criativas e múltiplas formas de solidificar o ensino aprendizagem/conhecimento.

Diante do exposto, vemos que, todo o trabalho desenvolvido e os planejamentos assertivos, mediante o trabalho intersetorial buscou-se garantir a oferta do ensino aprendizagem de qualidade, tendo os alunos como centro do processo de aprendizagem contemplando de alguma forma momentos presenciais, quanto momentos à distância (remoto).

Neste ponto lincamos as visões das pesquisas PIERRE LÉVY, JAMES G. LENGEL, EDVALDO COUTO, matérias publicadas em ARTIGOS NA REDE alinhados com a instrumentalização do Ensino Híbrido, em que as tecnologias digitais são inseridas de forma integrada ao currículo e têm um papel essencial no processo de ensino e aprendizagem, principalmente em relação à personalização do ensino. Nesses modelos, que rompem com a ideia exclusiva da aula expositiva, o aluno desempenha um papel ativo e desenvolve atividades à distância que contribuirão para as atividades que ocorrem nos momentos presenciais e que, envolvem discussões e resolução de problemas a partir do que foi desenvolvido à distância.

Um exemplo desses modelos é a SALA DE AULA INVERTIDA, “em que, o que era feito na sala de aula é agora feito em casa, e o que era feito em casa é feito na aula”, seja ela presencial ou à distância.

“Na Sala de Aula Invertida, a teoria é estudada em casa, antes da aula, por meio de atividades online, como por exemplo, assistir a um vídeo, pesquisar sobre determinado assunto, ler um texto. O professor pode indicar também leituras e atividades usando o livro didático ou ainda, em contextos de mais difícil acesso à internet, disponibilizar materiais impressos. São muitas as possibilidades de aprendizagem para que o momento coletivo, envolvendo alunos e professores, seja aproveitado para discussões sobre um tema acerca do qual os estudantes já trazem uma bagagem. Nessa aula o aluno tem um papel ativo em que participa de discussões, opina, levanta hipóteses, apresenta argumentos e vai assim, desenvolvendo competências tanto emocionais quanto as relativas aos conteúdos que estão sendo trabalhados10”.

REFERENCIAIS BÁSICOS